Oitavo mandamento: Não levantar falso testemunho

‘A verdade nos fará livres’

É bem incômodo quando as pessoas falam da gente, inventando mentiras para nos caluniar. Muitas vezes a honra é manchada e é muito difícil sarar a ferida, mesmo que a pessoa desminta. Isso acontece muitas vezes porque o compromisso com a verdade muitas vezes é relativizado e em algumas situações falamos aquilo que convém ao outro escutar, ou falamos o que penso que será melhor para mim, ou usamos a palavra para nos vingar de alguém (as palavras muitas vezes matam), não importando se o que falo é verdade. A lei que prima em muitos casos é a lei da conveniência. Somos escravos como nos falou há algum tempo o Papa Bento XVI da “ditadura do relativismo”.

Deus em sua infinita bondade e sabedoria sabendo o que é melhor para o homem estabeleceu um mandamento que trata desse grande desafio de todos os tempos (lembremos que o primeiro pecado foi cometido porque Eva acreditou na mentira da serpente). O oitavo mandamento proíbe falsear a verdade nas relações com os outros. Cristo se encarna e se manifesta também como a “Verdade” (Jo 14,6). Quem realmente quer seguir a Cristo deve viver na verdade, pois somente a “verdade nos fará livres” (Jo 8,32). Lembremos de quem é o pai da mentira.

Esse andar na verdade implica que toda a minha vida seja um constante testemunho da verdade: “Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1Jo 1,6). A nobreza da pessoa mede-se principalmente pelas palavras que sai de sua boca.

Chamados a dar testemunho da verdade

Cristo diante de Pilatos afirma que “veio ao mundo para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). O cristão jamais deve ter medo ou vergonha de testemunhar a verdade, aquilo que acredita. Não podemos ser “cristãos de domingo”. Não pode haver nenhuma separação entre a minha fé e a minha vida.

Houve uma época em que os cristãos eram perseguidos por sua fé. Alguns sucumbiram, mas felizmente muitos tiveram coragem de dar testemunho da sua fé, inclusive entregando a própria vida. O martírio é o supremo testemunho de fé. A palavra mártir significa testemunha. Hoje em dia ainda existem muitos cristãos sofrendo e sendo assasinados em nome da fé. Basta lembrarmos os exemplos da África e da China.

Ofensas à verdade

Falso testemunho (afirmação contrária à verdade prestada diante dum tribunal) e o perjúrio (mentir sob juramento) ofendem gravemente o próximo e muitas vezes condena um inocente ou absolve um culpado.

Todas as pessoas merecem que sua reputação seja respeitada. Não podemos fazer juízo temerário (afirmar algo sobre alguém sem ter certeza) do outro, praticar a maledicência (sem razão objetivamente válida, revela a pessoas que não sabem os defeitos e faltas de outros) ou caluniarmos (mentir prejudicando a reputação do outro). Não podemos ser fofoqueiros. Isso é um vício que caso tenhamos, devemos eliminar da nossa vida. Para nos ajudar nisso devemos crescer na virtude da prudência.

Ser um fanfarrão, contando vantagens para os outros também é uma grande tolice, pois as pessoas devem nos valorizar pelo que somos de verdade. Como dizem popularmente: “a mentira tem perna curta”. E quando é descoberta, maior é a vergonha. Ao invés de usarmos “máscaras” para que nos aceitem, o melhor é ser autêntico, uma pessoa que está em paz consigo mesma e que se aceita, e que apesar de suas imperfeições, busca cada dia ser melhor.

A ironia também não faz bem a ninguém. Ao invés de ficar fazendo “piadinhas” sobre os outros, o melhor é dizer claramente o que realmente pensa sobre ele, desde que seja prudente. Ironia só serve para ridicularizar o outro e gerar conflito desnecessário, e em muitos casos, é uma ofensa à caridade.

A mentira consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar. É a ofensa mais direta à verdade. Jesus mesmo nos disse que o nosso sim seja o sim e o não seja não. E como traímos a confiança de alguém quando mentimos.

O respeito à verdade

O direito à comunicação da verdade não é incondicional. Existem algumas circunstâncias em que não é prudente revelarmos a verdade (não significa de devemos mentir). O respeito à verdade e a caridade devem ditar nossa conduta na hora em que nos pedem alguma informação ou quando devemos comunicar algo. Exemplo de situações em que não convém revelar a verdade são o sigilo do sacramento da reconciliação, o sigilo profissional, ou quando nos revelam algo e pedem que guardemos segredo.

Os meios de comunicação social também tem uma grande importância nesse tema. Deveriam ser grandes arautos da verdade. Porém o que presenciamos em muitos casos é uma enorme falta de compromisso com a verdade. A verdade é manipulada segundo o que “venda mais”, não importando se isso pode ferir o outro, se terá conseqüências negativas na vida das pessoas. A verdade deve estar sempre a serviço do bem comum. Por isso é muito importante ter cada vez mais uma presença da Igreja nesses meios.

Que a Senhora Aparecida, aquela que viveu toda a sua vida na verdade nos ajude a sempre dizermos a verdade, tendo a Cristo, a Verdade, como guia e modelo.

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