Colher o que plantei

Colher o que plantei

Por João Antônio Johas Leão

Quando fazemos algo, nem sempre pensamos nas consequências dos nossos atos. Mas não podemos escapar do fato de que cada coisa que fazemos, ou deixamos de fazer, tem uma repercussão. Ela pode ser maior ou menor, mais evidente ou mais difícil de perceber, mas sabemos que nenhum de nossos atos permanece em si mesmo, como nos lembra o Catecismo: “O menor dos nossos atos praticado na caridade irradia em benefício de todos, nesta solidariedade com todos os homens, vivos ou mortos, que se funda na comunhão dos santos. Todo pecado prejudica essa comunhão”.

E essa repercussão também se dá a nível pessoal. O ditado bem conhecido diz: “Colhemos o que plantamos”. Isso pode ser entendido tanto para o bem, quanto para o mal, mas geralmente ele aparece como um aviso, como quem diz: “Cuidado com o que está fazendo hoje, que amanhã os frutos não serão bons”. E o próprio Jesus já dizia com autoridade que espantava: “toda árvore boa dá bons frutos, mas a árvore má dá frutos ruins. Uma árvore boa não pode dar frutos ruins, nem uma árvore má dar bons frutos”.  Nesse sentido, diria que o ditado está bem próximo dessa verdade bíblica.

Mas o que podemos fazer quando realizamos uma “plantação ruim”? Estamos fadados a colher esses maus frutos? Como estamos falando aqui de realidades que podem ser muito diversas, fica difícil dizer uma regra geral. As vezes no mesmo momento em que falamos algo nos damos conta de que não deveríamos ter falado e ainda percebemos o dano que faz uma palavra dita com raiva ou com inveja. Quem já teve a sensação de querer pegar as palavras que estão saindo de nossas bocas antes que possam ferir o ouvinte? Em casos assim, colhemos no momento o que estamos plantando.

Existem outros, diversos casos, em que o mal plantado não é tão devastador no momento. Mas é algo que vai crescendo, talvez em meio a outras coisas que são inclusive boas, como naquela outra parábola que conta Jesus sobre o joio e o trigo. E é uma parábola interessante porque Jesus não arranca o joio, com medo de arrancar junto com ele o trigo bom. Em nossas vidas o bem e o mal estarão sempre presentes de alguma maneira, porque somos pecadores, necessitados a todo momento da misericórdia de Deus. Mas esse mal que vai crescendo, pode lá na frente ter consequências devastadoras, por isso é preciso estar atento a fim de que no primeiro momento que possamos, desterremos esse mal de nossas vidas.

Mas seja uma plantação ruim que já está dando frutos ou uma que só dará frutos mais lá para frente, é preciso nunca esquecer que Deus sabe tirar frutos bons de qualquer plantação malfeita. Isso com certeza nos enche de esperança porque nos faz lembrar que não somos o centro do mundo, capazes de destruir o projeto do Senhor, e que por piores que possam ser nossas decisões, sempre estará Deus por cima, com um olhar bondoso e cheio de misericórdia fazendo o possível e o impossível (para nós, mas não para Ele) para guiar-nos com sua providência até um encontro pleno com Ele, o único fruto que é realmente necessário.

Deixe uma Resposta.