25 de Dezembro de 2016 – Missa da Meia Noite: “Encontrarão um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”

25 de Dezembro de 2016 – Missa da Meia Noite: “Encontrarão um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”

I. A PALAVRA DE DEUS

Is 9, 1-3. 5-6: “Um filho nos foi dado”

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram  o tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos.

Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre.

Assim o fará o Senhor do Universo.

Sal 97, 1-6: “Hoje nasceu o nosso Salvador, Jesus Cristo, Senhor.”

Cantai ao Senhor um cântico novo,
cantai ao Senhor, terra inteira,
cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.

Anunciai dia a dia a sua salvação,
publicai entre as nações a sua glória,
em todos os povos as suas maravilhas.

Alegrem-se os céus, exulte a terra,
ressoe o mar e tudo o que ele contém,
exultem os campos e quanto neles existe,
alegrem-se as árvores das florestas.

Diante do Senhor que vem,
que vem para julgar a terra:
julgará o mundo com justiça
e os povos com fidelidade.

Tit 2, 11-14: “Manifestou-se a graça de Deus a todos os homens”

Caríssimo:

Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que Se entregou por nós, para nos resgatar de toda a iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.

Lc 2, 1-14: “Hoje nasceu o nosso salvador, Jesus Cristo, Senhor.”

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra.

Este primeiro recenseamento efetuou-se quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade.

José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de Davi, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogênito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos.

O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo.

Disse-lhes o Anjo:

─ «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».

Imediatamente, juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo:

─ «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

II. COMENTÁRIOS

O Evangelho oferece um contexto histórico prévio ao nascimento de Jesus: «Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra». Durante seu governo este mesmo imperador realizou vários censos parciais e três que abrangeram todo o território ocupado pelo império romano. Um destes censos foi decretado no ano 746 de Roma, uns oito anos antes da data atualmente fixada como do nascimento de Jesus Cristo.

Roma costumava respeitar os costumes dos povos submetidos ao seu domínio. Por isso todo recenseamento era feito segundo o costume judeu: «Todos se foram recensear, cada um à sua cidade». José, «por ser da casa e da descendência de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, à cidade de Davi, que se chama Belém, na Judeia, para inscrever-se». Belém ou Bethlehem quer dizer “casa de pão”. A pequena cidade tinha recebido esse nome graças a sua fertilidade e abundância de cereais. Era o lugar originário da família davídica.

O evangelista diz que José “sobe” a Belém. Esta cidade estava situada a uns dez quilômetros ao sul de Jerusalém, e a uns cento e quarenta ao sul de Nazaré. Topograficamente falando, ir de qualquer lugar da Palestina a Jerusalém ou a suas imediações sempre implicava uma ascensão.

José vai a Belém para recensear-se «com sua es­posa Maria, que estava grávida. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogênito». Deste modo se cumpre a profecia de Miqueias (5,2), que tinha anunciado que era em Belém que nasceria o Messias prometido por Deus.

Alguns defendem que o termo “primogênito” aplicado a Cristo demonstra que posteriormente Maria teria tido outros filhos, e que portanto não era virgem. Esta releitura prescinde completamente da mentalidade hebréia: “primogênito” era um título legal, e não implicava que a mulher tivesse mais filhos. Um descobrimento arqueológico que testemunha este sentido legal da expressão é uma esteira sepulcral descoberta em 1922 no Egito, no Tell o-Yeduieh, do ano 5 A. C. Nela se lê que uma judia da Diáspora, chamada Arsinoe, morreu ao dar à luz seu filho “primogênito”. Portanto, dizer que Cristo era o filho primogênito de Maria não implica em que depois Maria tenha tido outros filhos.

Como primogênito, segundo a Lei, Jesus devia ser “resgatado” simbolicamente (ver Num 3,12-13; 18,15-16; Ex 13,2; 24,19). José e Maria cumprirão a Lei ao apresentar o Menino no Templo, oferecendo em sacrifício dois pombinhos, por serem pobres (ver Lc 22, 22-24).

Voltando para a cena que nos ocupa, o evangelista narra que Maria «o envolveu em panos e o deitou em uma manjedoura». A manjedoura era um recipiente que continha forragem para o gado. O lugar no qual tinha dado à luz era um estábulo, pois por alguma razão não tinham podido ou querido acolhê-los na estalagem, dizendo que não havia lugar para eles.

A seguir o evangelista passa para outra cena: «Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos». Ao ler que passavam a noite ao ar livre, cuidando e protegendo o seu rebanho por turnos, entendemos que estes pastores não eram de Belém, eram nômades, e portanto, não gozavam de boa fama. Nenhum fariseu comprava lã ou leite deles temendo que seus produtos proviessem do roubo. Entretanto, é a estes pastores que «o anjo do Senhor aproximou-se», e nesse mesmo momento «a glória do Senhor cercou-os de luz». Trata-se de uma manifestação divina ou “teofania”, diante da qual os pastores compreensivelmente se enchem de temor.

Mas o enviado divino os convida a transformar seu temor em uma grande alegria, pois o que lhes traz é uma «boa notícia», um «evangelho». Com efeito, nossa palavra evangelho procede do grego euangeliou, que quer dizer “comunicar uma coisa boa”, “dar uma excelente noticia”. E a boa notícia que deve ser para os pastores causa de júbilo é que «nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo Senhor». Deus cumpriu a promessa feita no passado a Israel por meio dos profetas! Afinal chegou o Messias esperado! E os primeiros a serem avisados desta jubilosa notícia não são os ricos, mas estes humildes pastores, a quem o anjo convida a porem-se em marcha para adorá-lo.

Dele diz o anjo que é «um Salvador». Na realidade, o grego não utiliza artigo, por isso deve entender-se que é (O) Salvador por antonomásia, não “um a mais”. No Antigo Testamento geralmente o título de Salvador aplicava-se só a Deus, ou também em algum sentido àqueles a quem Deus confiava uma missão libertadora (ver Jz 3, 9-15). No relato da anunciação o anjo revela a Maria o nome que deve dar ao Filho que conceberá por obra do Espírito Santo: Jesus, que traduzido quer dizer: “Deus salva”, «porque Ele salvará a seu povo de seus pecados» (Mt 1, 21). E «quem pode perdoar pecados, senão Deus?» (Mc 2, 7). No caso do Filho de Maria, este nome expressará também sua identidade e sua missão: Ele é verdadeiramente Deus que se fez homem, para ser Salvador e Reconciliador da humanidade inteira.

O anjo acrescenta que O Salvador é «o Messias, o Senhor». Messias quer dizer Ungido, ou Cristo. Os três termos significam a mesma coisa: «Cristo vem da tradução grega do termo hebreu “Messias” que quer dizer “ungido”» (Catecismo da Igreja Católica, 436). «Em Israel eram ungidos no nome de Deus os que lhe eram consagrados para uma missão que tinham recebido Dele. Este era o caso dos reis, dos sacerdotes e, excepcionalmente, dos profetas. Este devia ser por excelência o caso do Messias que Deus enviaria para instaurar definitivamente seu Reino. O Messias devia ser ungido pelo Espírito do Senhor» (Ali mesmo). Conhecemos aquele Menino como Cristo, dado que Ele é o Ungido por excelência.

Este Messias Salvador é qualificado como «o Senhor», em grego Kyrios. É com esta palavra, Kyrios, que se traduzia para o grego o nome de Yahweh no Antigo Testamento. Sua aplicação ao Menino que acaba de nascer ressalta sua divindade. Kyrios é a expressão com a qual a primitiva comunidade cristã professaria sua fé na divindade de Jesus Cristo. São Paulo em suas cartas usou-a frequentemente com este mesmo fim. Em sua carta aos filipenses, depois de afirmar que Cristo, sendo Deus, se abaixou fazendo-se homem como nós, proclama-O como Kyrios, SENHOR, diante de quem todo joelho finalmente se dobrará (ver Flp 2, 5-11[1]).

Logo depois daquela teofania e anúncio feliz do anjo os pastores compreenderam que o Messias tinha chegado. Para encontrá-lo o anjo lhes dá um “sinal” ou “símbolo”: «encontra­rão um menino envolto em panos e deitado em uma manjedoura». O “símbolo” fala da humildade e simplicidade em que nasce este Menino: não nasce entre poderosos, em algum palácio, rodeado de riquezas e servos. Nasce pobre, humilde, despercebido, sem glória humana.

Terminado o anúncio do anjo aparece junto a eles «uma multidão do exército celestial que louvava a Deus, dizendo: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados». O Messias deve trazer a paz, que para o judeu era e é o máximo de todos os bens, e aqui especialmente o máximo de todos os bens messiânicos que Deus quis dar de presente aos homens.

III. LUZES PARA A VIDA CRISTÃ

De repente vem o sobressalto: uma noite, enquanto uns dormem ao relento e outros vigiam cuidando de seu rebanho do ataque dos lobos, um anjo se apresenta. Irrompe em suas vidas o extraordinário, o sobrenatural, a glória do Senhor os envolve em sua luz, são arrancados da monotonia cotidiana, do rotineiro, do ritmo normal de suas vidas, porque Deus se manifesta inesperadamente!

Os pastores despertam confusos diante de algo totalmente inesperado que irrompe em suas vidas, que os arranca da rotina cotidiana, desse “ter tudo controlado”. Sentem medo! Quem não se assustaria? Têm medo do desconhecido, medo do que escapa ao controle de suas mãos, medo da luz que os envolve, medo de Deus que se manifesta!

O medo que eles sentem nos fala de uma experiência comum: também nós temos medo de Deus quando Sua luz nos invade e envolve, medo porque essa luz nos arranca das trevas em que comodamente nos instalamos. Alguma vez alguém me dizia: “cheguei a me acostumar tanto com a escuridão que me parecia claridade”. Quanto nos acostumamos também nós a nossas escuridões e trevas, convencendo-nos de que são claridade? Quando assim acontece, a luminosidade com que Deus nos envolve nos dá medo, porque sua luz fere os olhos da alma, porque sua luz revela o que nossas trevas ocultam.

Há trevas em nosso coração quando fazemos o mal e nos escondemos. Há trevas em nós quando mentimos, e pior ainda, quando levamos uma vida dupla. A escuridão nos envolve quando desprezamos o Senhor, quando decidimos que Ele não tem nada a nos dizer, quando nossa soberba e vaidade tomam o controle de nossas vidas, quando consentimos o ódio, a amargura, o ressentimento e o desejo de vingança em nossos corações, quando disfarçamos o egoísmo de amor, quando ignoramos quem somos, nossa identidade, nossa origem, o sentido de nossas vidas e nosso destino.

E embora nas trevas não se ache senão confusão, intranquilidade, angústia, solidão, vazio, quanto medo temos de deixar que a luz do Senhor nos envolva, penetre-nos e ilumine nossa vida! Não só porque a claridade exige conhecer, aceitar, confrontar e mudar tudo o que em nós está mau, mas mais ainda, porque a luz que vem do Senhor nos revela nossa verdadeira grandeza e dignidade. E quanto medo temos de chegar a ser o que estamos chamados a ser! Pois descobrir nossa verdadeira grandeza exige responder a ela, exige que nos despojemos de todo farrapo que nos parece “régia vestimenta”, de toda corrente ou laço que nos parece a mais deliciosa das liberdades para nos lançar à grande aventura de conquistar aquilo que estamos chamados a ser, de conquistar o Infinito!

«Não temam», são as palavras que o anjo dirige aos pastores, e são as palavras que a Igreja dirige também hoje a cada um de nós: Não tema! Não tema este Menino! Não tema a Deus que se manifesta neste Menino! Ele é a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo! Pode-se ter medo de um menino? Um menino não é o ser mais frágil do mundo? Não precisa de cuidado, amparo? Não fica totalmente em nossas mãos? Não inspira nossa ternura e amor? Pois Deus se fez Menino, para que desapareça todo temor de seu coração! Este é o sinal: «encontrarão um menino envolto em panos e deitado em uma manjedoura». Não tema: Ele não deve destruir o que você é, ou vai te tirar o muito ou pouco que você tem. Ele vem para curar, para reconciliar, para salvar, para elevar, para te dar mais, para te dar TUDO o que Ele é e possui! E para isso se faz pequeno, faz-se homem como nós. Sem deixar de ser Deus, faz-se totalmente solidário com nossa natureza humana: para te elevar a sua altura, para que você seja grande como Ele, tão grande que possa chegar a participar da mesma natureza de Deus, de seu amor e felicidade, por toda a eternidade! Não tema acolher este Menino em sua vida, em sua casa, em seu lar! Não tema pô-lO no centro de sua existência, assim como se coloca uma lâmpada no centro de um quarto escuro, para que ilumine todo o interior!

Não, não tema procurar o Menino nesta noite como o buscaram os humildes pastores, para lhe abrir de par em par as portas e embalá-lo na manjedoura de seu pobre coração. Não tenha medo! Não tema abrir-lhe sua mente, deixar que sua luz ilumine você, para que retrocedam todas as trevas que há em ti, e tudo em ti se converta em luz! Não tema! Se você se abrir a Ele, a paz inundará seu coração e você será luz para tantos outros que no mundo morrem por falta de luz e calor.

IV. PADRES DA IGREJA

«Nosso Salvador, amadíssimos irmãos, nasceu hoje; alegremo-nos. Com efeito, não pode haver, lugar para a tristeza, quando nasce aquela vida que deve destruir o temor da morte e nos dar a esperança de uma eternidade feliz. Que ninguém se considere excluído desta alegria, pois o motivo deste gozo é comum a todos, nosso Senhor, com efeito, vencedor do pecado e da morte, assim como não encontrou ninguém livre de culpa, veio para salvar todos nós. Alegre-se, pois, o justo, porque se aproxima da recompensa; regozije-se o pecador, porque lhe oferece o perdão; anime-se o pagão, porque é cha­mado à vida». São Leão Magno

«Desperta, homem: por ti Deus se fez homem. Tu, desperta, tu que dormes, ressurge dos mortos; e Cristo com Sua luz te iluminará. Repito-te isso: por ti Deus se fez homem. Tu estarias morto para sempre, se Ele não tivesse nasci­do no tempo. Nunca terias sido retirado da carne do pecado, se Ele não tivesse assumido uma carne semelhante à do pecado. Estarias condenado a uma miséria eterna, se não tivesses recebido tão grande misericórdia. Nunca terias voltado para a vida, se Ele não se submetesse vo­luntariamente a Sua morte. Terias perecido, se Ele não te tivesse auxiliado. Estarias perdido sem remédio, se Ele não tivesse vindo para te salvar. Celebremos, pois, com alegria, a vinda de nossa salvação e redenção. Celebremos este dia de festa, no qual o grande e eterno Dia, gerado pelo que também é grande e eterno Dia, veio ao dia tão breve desta nossa vida temporal». Santo Agostinho

V. CATECISMO DA IGREJA

Abaixou-se para nos elevar

  1. O Verbo fez-Se carne,para nos tornar «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4): «Pois foi por essa razão que o Verbo Se fez homem, e o Filho de Deus Se fez Filho do Homem: foi para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a adoção divina, se tornasse filho de Deus» (Santo Irineu).

«Porque o Filho de Deus fez-Se homem, para nos fazer deuses» (Santo Atanásio).

O Filho Unigênito de Deus, querendo que fôssemos participantes da sua divindade, assumiu a nossa natureza para que, feito homem, fizesse os homens deuses» (Santo Tomás de Aquino).

O Mistério de Natal

  1. Jesus nasceu na humildade de um estábulo, no seio duma família pobre. As primeiras testemunhas deste acontecimento são simples pastores. E é nesta pobreza que se manifesta a glória do céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória desta noite:

«Hoje a Virgem dá à luz o Eterno
e a terra oferece uma gruta ao Inacessível.
Cantam-n’O os anjos e os pastores,
e com a estrela os magos põem-se a caminho,
porque Tu nasceste para nós,
pequeno Infante. Deus eterno!» (Contaquio de Romano o Melodista)

  1. «Tornar-se criança» diante de Deus é a condição para entrar no Reino, e para isso, é preciso abaixar-se tornar-se pequeno. Mais ainda: é preciso «nascer do Alto»(Jo 3, 7), «nascer de Deus» (Jo 1, 13) para se «tornar filho de Deus» (Jo 1, 12). O mistério do Natal cumpre-se em nós quando Cristo «Se forma» em nós. O Natal é o mistério desta «admirável permuta»:

«Oh admirável permuta! O Criador do gênero humano, tomando corpo e alma, dignou-Se nascer duma Virgem; e, feito homem sem progenitor humano, tornou-nos participantes da sua divindade!»

VI. TEXTOS DA ESPIRITUALIDADE SODALITE

“Sendo de condição divina não retive o ser igual a Deus, mas despojei-me de meu status, tomei a condição de servo e humilhei a mim mesmo. Assim, sendo rico, por ti me fiz pobre para te enriquecer com minha pobreza.

As rapozas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas eu não tenho onde reclinar a cabeça. Quando nasci em Belém, minha Mãe me deu à luz, envolveu-me em panos e me recostou em uma manjedoura. E quando entrei em Jerusalém o fiz com mansidão e montado em um burrinho.

Eu sou manso e humilde de coração. Chama-me Mestre e Senhor, e dizes bem porque o sou, e entretanto, lavei-te os pés.

Não vim para ser servido, mas para te servir e a entregar minha vida em resgate por ti”.

(P. Jaime Baertl, Tenho-me feito pobre por ti em “Estou à porta… escute-me”. Orações para o encontro com o Senhor. Vida e Espiritualidade, Lima 2014).

“Maria é, primeiro e acima de tudo, Mãe… Maria é Mãe porque concebeu em seu seio puríssimo a Jesus, o Filho de Deus, o Verbo feito carne. Sua maternidade é, em primeiro lugar, uma maternidade divina, fruto do dom divino e de sua cooperação livre e ativa (…).

Como é óbvio, a maternidade divina não se reduz à mera geração humana do Filho de Deus. Implica também no cuidado, na educação e na formação do Filho, até que alcance sua plenitude e maturidade. Mas ao mesmo tempo Maria, sendo Mãe de Jesus, Cabeça do Corpo Místico, é também, pela fé e na fé, Mãe daqueles que serão os membros deste Corpo (…).

Perguntemo-nos: o que nos diz tudo isto para nossa vida cristã? De que modo podemos viver estas realidades?

Podemos responder a isto refletindo sobre o que significa ser uma mãe. O que é que caracteriza uma mãe? Mãe é aquela que dá a vida, como dom de amor ao filho. Mas ao mesmo tempo, a mãe cuida com ternura, protege e dirige essa vida humana entregue como materialização de seu amor íntimo até que o filho(a) alcance sua plenitude e maturidade. E isto é o que tem feito, faz e continuará fazendo Maria conosco. Sua maternidade espiritual para com cada cristão, reproduz e reflete o amor que Ela teve para com o Senhor Jesus. E o amor com que nos ama, a cada um de nós, é único e irrepetível, como únicos e irrepetíveis somos os seres humanos.

João Paulo II diz: ‘é essencial à maternidade a referência à pessoa. A maternidade determina sempre uma relação única e irrepetível entre duas pessoas: a da mãe com o filho e a do filho com a mãe. Mesmo que uma mesma mulher seja mãe de muitos filhos, sua relação pessoal com cada um deles caracteriza a maternidade em sua própria essência… pode-se afirmar que a maternidade ‘na ordem da graça’ mantém a analogia com aquilo que ‘na ordem da natureza’ caracteriza a união da Mãe com o Filho… A maternidade de Maria, que se converte em herança do homem, é um dom: um dom que Cristo mesmo faz pessoalmente a cada homem’. Vivamos, pois, respondendo a este dom tão maravilhoso, amando intensamente a esta Mãe que nos deu o Senhor Jesus, Mãe que nos ama e nos cuida de maneira incomparável!”

(Mons. José Antonio Eguren Anselmi, SCV, A Virgem Maria na vida do cristão hoje, em Maria, Estrela da Nova Evangelização. Congresso Mariano. Vida e Espiritualidade, Lima 2003)

[1] « 5 Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: 6 Ele tinha a condição divina, mas não Se apegou à sua igualdade com Deus. 7 Pelo contrário, esvaziou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-Se semelhante aos homens. Assim, apresentando-Se como simples homem, 8 humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz! 9 Por isso, Deus O exaltou grandemente, e Lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; 10 para que, ao Nome de Jesus, se dobre todo o joelho no Céu, na Terra e sob a Terra; 11 e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai..»

Em grego, conforme http://biblehub.com/whdc/philippians/2.htm: «τοῦτο  φρονεῖτε  ἐν  ὑμῖν    καὶ  ἐν  Χριστῷ  Ἰησοῦ,  ὃς  ἐν  μορφῇ  Θεοῦ  ὑπάρχων  οὐχ  ἁρπαγμὸν  ἡγήσατο  τὸ  εἶναι  ἴσα  Θεῷ,  ἀλλὰ  ἑαυτὸν  ἐκένωσεν  μορφὴν  δούλου  λαβών,  ἐν  ὁμοιώματι  ἀνθρώπων  γενόμενος·  καὶ  σχήματι  εὑρεθεὶς  ὡς  ἄνθρωπος  ἐταπείνωσεν  ἑαυτὸν  γενόμενος  ὑπήκοος  μέχρι  θανάτου,  θανάτου  δὲ  σταυροῦ.  διὸ  καὶ    Θεὸς  αὐτὸν  ὑπερύψωσεν,  καὶ  ἐχαρίσατο  αὐτῷ  τὸ  ὄνομα  τὸ  ὑπὲρ  πᾶν  ὄνομα,  10 ἵνα  ἐν  τῷ  ὀνόματι  Ἰησοῦ  πᾶν  γόνυ  κάμψῃ  ἐπουρανίων  καὶ  ἐπιγείων  καὶ  καταχθονίων,  11 καὶ  πᾶσα  γλῶσσα  ἐξομολογήσηται  ὅτι  ΚΥΡΙΟΣ  ΙΗΣΟΥΣ  ΧΡΙΣΤΟΣ  εἰς  δόξαν  Θεοῦ  Πατρός.

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